Pesquisadores fazem expedição para avaliar ilhas de lixo no Atlântico
11/09/2010
Durante duas semanas, o veleiro Sea Dragon arrastou redes especiais para coletar plásticos na superfície do Atlântico até chegar à Ilha Ascensão, a 1886 milhas náuticas (3.395 km) de distância do RJ.

Plástico é um material leve, maleável, moldável e muito, muito barato. Por isso é tão popular. Por isso está por toda parte e sempre é o melhor quando se fala em custo-benefício. Segundo a lógica do mercado, é bem mais eficiente ter objetos, embalagens, sacolas ou vasilhames feitos de plástico, mesmo que eles quebrem ou rasguem facilmente. O preço nem chega perto dos mesmos produtos feitos de metal, madeira, fibra, tecido, vidro etc.
A lógica de mercado, porém, raramente é ecológica.
Justamente por ser tão barato e tão popular, o plástico logo se transforma em lixo e é dispensado em qualquer lugar. Assim, logo tornou-se o material mais volumoso em lixões e aterros. E, infelizmente, é encontrado nos lugares mais inapropriados: na cidade, em áreas naturais, rolando nos desertos e campos, enroscado no alto das árvores, flutuando em lagoas e rios. Nem o remoto alto mar escapa.
Jogado nas margens dos rios, no mangue, nas praias ou diretamente no mar, o plástico logo sai de vista, mas não desaparece. Carregado pelas correntes marinhas, circula indefinidamente, concentrando-se no centro dos grandes oceanos, onde chega a formar imensas ilhas flutuantes.
Como se não fosse problema suficiente, nestas condições, mesmo quebrado em pedacinhos, o plástico atrai e adsorve (é com D, mesmo!) os Poluentes Orgânicos Persistentes, comumente chamados pela sigla POPs. São poluentes banidos do mercado por um acordo internacional (Tratado de Estocolmo), dentre os quais os mais conhecidos são o DDT, os furanos e as dioxinas. A concentração de POPs associados ao plástico flutuante chega a ser um milhão de vezes mais alta do que na água!
Para avaliar o tamanho destas ilhas flutuantes no meio do Oceano Atlântico, analisar as concentrações de POPs associados ao plástico e monitorar os impactos desses poluentes sobre a biodiversidade marinha, um grupo de pesquisadores saiu do Rio de Janeiro no dia 26 de agosto, a bordo do veleiro Sea Dragon
Durante duas semanas, o barco arrastou redes especiais para coletar plásticos na superfície da água até chegar à Ilha Ascensão, a 1886 milhas náuticas (3.395 km) de distância do porto de partida, em linha reta.
Sigo a bordo para acompanhar as pesquisas e enviar informes ao Planeta Sustentavel, sempre que o tempo e os recursos de comunicação permitirem. Acompanhe nossa jornada pelo Mar de Lixo, através do mapa isponível no link abaixo.
Fonte: Site Planeta Sustentável - *Liana John é jornalista ambiental e escreve todas as quintas-feiras no blog Biodiversa, do Planeta Sustentável