Onça Anhanguera livre
21/08/2011
Anhanguera ficou por um ano e quatro meses em cativeiro isolado do contato humano, no Centro Brasileiro para Conservação dos Felinos Neotropicais da ONG Mata Ciliar.

Quando foi atropelado no km 71 da Via Anhanguera, em setembro de 2009, o jovem macho de onça-parda, ou suçuarana, trilhava seus primeiros caminhos longe da mãe, demarcando seu território. Com menos de um ano e já “batizado” com o nome da rodovia, Anhanguera teve sorte de sair desse perigoso encontro com a raça humana apenas com escoriações. Seu inusitado resgate durou três horas. Selvagem, precisou ser sedado e a operação envolveu, além da CCR AutoBAn, que administra a rodovia, os bombeiros, polícias Militar Rodoviária e Ambiental, Guarda Civil e a Associação Mata Ciliar de Jundiaí, para onde a onça foi encaminhada.
Projeto Anhanguera
Anhanguera ficou por um ano e quatro meses em cativeiro isolado do contato humano, no Centro Brasileiro para Conservação dos Felinos Neotropicais da ONG Mata Ciliar. Lá curou suas feridas, recuperou um canino quebrado, imprescindível para sobreviver como exímio caçador, ganhou peso e recebeu um microchip para identificação e um rádio colar para monitoramento.
Em um passo importante para a reintegração à natureza, o animal foi encaminhado para um recinto fechado, dentro da Serra do Japi, monitorado por câmeras, onde fortaleceu seus músculos, reaprendeu a caçar e se readaptou ao ambiente natural. “Esse processo denominado ‘soft release’ foi inédito no Brasil envolvendo uma suçuarana e só pôde ser realizado graças ao projeto Guardiões da Mata, por meio da parceria com a CCR AutoBAn e de suas contratadas Converd e Vilhena”, explica Cristina Adania, coordenadora de fauna da ONG Mata Ciliar.
Nas boas mãos da natureza
Em fevereiro deste ano o recinto monitorado foi aberto e a Onça Anhanguera voltou definitivamente à vida livre, em sua etapa final de readaptação e restabelecimento. Mas a saga desta onça-parda ainda não acabou e seu monitoramento via telemetria pelo programa Vida Livre da Mata Ciliar visa, além do sucesso da reintegração, a luta pela conservação da biodiversidade. “A nossa expectativa é grande para que ele agora cumpra o seu papel na cadeia ecológica e atue como um “detetive”, nos ajudando a compilar informações importantes para planejar futuros projetos de conservação”, explica o especialista em felinos Peter Crawshaw Júnior, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Projeto Guardiões da Mata
Preocupada com a preservação da biodiversidade da região do Sistema Anhanguera-Bandeirantes, a CCR AutoBAn firmou parceria em 2009 com a Associação Mata Ciliar por meio do Projeto Guardiões da Mata. Nele, todo animal silvestre resgatado com vida das rodovias é encaminhado à ONG, em Jundiaí, para ser reabilitado e reintegrado à natureza. Com o projeto, a concessionária também atua na educação ambiental das comunidades sob sua influência a fim de contribuir para a conservação da fauna e da flora regional.