Indústria pesqueira mundial ameaça diversidade
15/02/2010
Cerca de 75% das espécies de peixes da plataforma continental brasileira e baías estão sendo ameaçadas. A maior responsável pelo problema é a pesca de arrasto em escala industrial.

Segundo dados da Organização das Nações Unidas para Agricul¬tura e Alimentação (FAO), a indústria pesqueira mundial reduziu a população de peixes oceânicos em 90% nos últimos 50 anos. Das 25 mil espécies marinhas conhecidas, 30% estão ameaçadas de extinção e 80% da biomassa marinha já foi capturada nos últimos 100 anos.
No Brasil, a situação também é preocupante. Cerca de 75% das espécies de peixes de nossa plataforma continental e baías estão sendo ameaçadas. A maior responsável pelo problema é a pesca de arrasto em escala industrial.
“O grande problema das embarcações industriais é que elas pescam muito próximo às costas e as suas redes, que chegam a 15 quilômetros de extensão, varrem tudo o que encontram pela frente, provocando a perda da biodiversidade marinha”, explica o superintendente do Ministério da Pesca no Paraná, Zeca Wigwesti. “Já presenciamos barcos industriais a 3 milhas e até a meio milha de distância da costa”, completa Cláudio Dybas da Natividade.
Os oceanos são considerados patrimônio de todos e, por isso, costumam ser explorados desordenadamente. O Brasil não foge à regra. Grande parte dos crimes ambientais ocorre por falta de fiscalização, apesar de existir uma legislação responsável por punir os infratores.
Em setembro de 2006, foi instituído o Programa Nacional de Rastreamento de Embarcações Pesqueiras por Satélite (Preps), que tem por finalidade o monitoramento, a gestão pesqueira e o controle das operações da frota pesqueira brasileira. Todas as embarcações de pesca estrangeira e de pesca de arrasto, de cerco e com armadilhas são obrigadas a participar do programa.
A regulamentação do lançamento de recifes artificiais e de unidades antiarrasto (estruturas que impedem a passagem das redes industriais) também se tornou uma importante ferramenta de fiscalização do mar brasileiro. Só após dois anos é que o Projeto Re¬¬bimar receberá de fato uma licença de operação. Antes disso, será ne¬¬cessário cumprir uma série de exigências do Ibama, entre elas desenvolvimento de um plano de monitoramento, um projeto de educação ambiental e a vistoria contínua dos recifes implantados.
Fonte: Gazeta do Povo – via ANDA