Entrópio: uma comum alteração nas pálpebras
27/01/2009
Este termo se refere a uma alteração palpebral que consiste na inversão de uma parte ou toda a margem palpebral, causando irritação por fricção dos cílios ou pêlos na córnea.

Este termo se refere a uma alteração palpebral que consiste na inversão de uma parte ou toda a margem palpebral, causando irritação por fricção dos cílios ou pêlos na córnea (camada externa e transparente dos olhos). Este trauma pode resultar em ulcerações, perfuração corneana ou pigmentação escura da córnea (ceratite pigmentar).
É muito comum em cães da raça Shar-Pei, Chow-Chow, Buldog, Pug e Poodle, ou gatos com o focinho curto como Persa e Himalaia. Geralmente, identificamos estas alterações da pálpebra em animais com menos de um ano.
Os sinais clínicos que os animais apresentam variam com o grau da lesão da córnea e o tempo em que as alterações vêm acontecendo. Quando a irritação é mais leve e mais no canto do meio do olho (medial), o paciente apresenta lacrimejamento contínuo (epífora crônica), que é muito comum em poodle e maltês. Em casos mais intensos, notamos secreção mucóide à purolenta nos olhos, com bastante dor, relutância em olhar para a luz e permanência de olho fechado.
Esta alteração tem grande influência genética na conformação da face e suporte das pálpebras (ligamento), tanto em raças de focinho curto (braquicefálico), como em raças com muita dobra e cara larga com pele pesada.
O tratamento de eleição para entrópio é a cirurgia plástica de reconstituição das pálpebras e posicionamento correto das mesmas em relação à córnea. Porém, não se recomenda realizar a cirurgia em pacientes com menos de 6 meses pois, com o crescimento, as modificações faciais ocorrem, possibilitando um procedimento definitivo, futuramente.
Em cães jovens, utilizamos técnicas de sutura para evitar traumatismo ocular e permitir o desenvolvimento do animal até que possamos realizar um procedimento definitivo com maior sucesso. Normalmente, durante o tratamento utiliza-se colírios e pomadas oftálmicas com veículos lubrificantes e antibióticos para oferecer mais conforto ao paciente.
É importante salientar que esta alteração (entrópio) é mais comum que imaginamos, o tratamento tem sucesso, porém os animais devem ser atendidos na hora certa, antes que as alterações anatômicas e funcionais se instalem definitivamente. Afinal, quem nunca ouviu falar daquele poodle que tem os pêlos do focinho vermelho, e sempre lacrimejando?
Dr. Valério Gonzales Ouriques
CRMV-RS 6535